em Desconstruindo, Pessoal

Experiência: cera quente

depilacao-masculina

Esse é um texto bastante pessoal e ele vai abrir uma série de relatos que gostaria de compartilhar por aqui. Por isso, se fez necessária uma introdução.

Desconstruindo

Desde que comecei a repensar minhas atitudes, minha postura e meu papel no mundo (e já faz bastante tempo), tenho buscado constantemente estar “na pele” do outro em diversos momentos. É uma forma bastante didática de entender o sentimento alheio, desenvolver minha empatia, melhorar como gente.

Há pouco mais de um ano eu me descobri machista. Até então a minha visão era distorcida pelo fato de eu não ser alguém agressivo ou ofensivo (pelo menos nessa visão) com mulheres. Eu não era um troglodita e isso me fazia pensar que eu não era machista. Pelo contrário, eu até me considerava um tanto feminista. Mas eu pensava, por exemplo, que homens e mulheres tinham papéis muito claros e estabelecidos na sociedade. Essa coisa patriarcal padrão, que foi o ambiente em que eu cresci, mesmo tendo sido educado exclusivamente por mulheres desde meus 12 anos. Eu era o “homem da casa”.

Essa descoberta recente tem me feito reavaliar uma série de coisas em minha vida, não somente nessa questão do machismo, mas nesse caso específico eu tenho feito experiências frequentes de empatia com questões de gênero e padrões estabelecidos pela sociedade. É impressionante o quanto certas coisas são relacionadas diretamente ao feminino e outras ao masculino, e quando a gente “quebra” um pouco essas regras, a gente consegue pensar melhor e fazer os outros ao nosso redor pensarem também.

Gostaria de relatar hoje a experiência mais recente e aos poucos eu vou falando das anteriores e das próximas. Algumas podem ser mais engraçadas (como a de hoje) e outras mais sérias. Pega um café e me acompanha. No caminho, aproveita pra refletir e se você se sentir a vontade, comenta lá no final.

Cera quente : a tragicomédia

Pelos corporais existem, alguns gostam de mantê-los grandes, outros aparam, outros removem. Não vou entrar na questão se é “errado” remover essa proteção que é um resquício dos nossos antepassados ou esperar que a evolução acabe com eles sozinha.

Eu vejo frequentemente as mulheres (principalmente, raros homens) falando o quanto é sacrificante ficarem bonitas e a tal cera quente é uma constante nessas falas. Não é raro escutar algum comentário paralelo sobre a mulher ter até se depilado com cera pra um encontro e o cara mal fez a barba.

Minha primeira experiência foi o abdome (no meu caso, bacon), que eu nunca havia depilado antes, mas queria ver como é que fica. Comprei a cera na farmácia, fácil de usar sozinho e tal, mandei brasa e deu “mais ou menos” certo. Doeu um pouco, não removeu tudo e tive que arrematar com a lâmina de barbear (não façam isso, encrava tudo depois). Ficou lisinho que nem bola de bilhar, a sensação foi uma maravilha. Como experiência, valeu, mas não repetirei – provavelmente – porque não gostei do visual final.

Depois da experiência bem sucedida e super agradável, decidi fazer de novo. Dessa vez escolhi minha “área que não bate sol”, que eu já uso lâmina de barbear há bastante tempo, deixo sempre lisinho.

Tem muito homem (principalmente) que nunca depilou ou no máximo dá aquela aparadinha na tesoura. Olha, eu recomendo a experiência de deixar tudo liso, ou pelo menos tirar tudo embaixo e deixar em cima bem baixinho. Você vai ver o quanto vai ficar mais sensível, fresco (pelo dá um calor!) e visualmente muito mais bacana (o sexo melhora muito, inclusive). Tenta e me fala depois.

Como lâmina é um terror (encrava os pelos, coça, irrita a pele) pra quem tem pele sensível – e eu tenho – eu tenho buscado alternativas. Ora, se a cera quente na barriga foi super de boas, então no resto do corpo ia ser beleza, certo?

Nunca estive tão errado

Os pelos mais grossos (acostumados com a lâmina) e super resistentes foram um páreo muito duro. A pele mais sensível, sempre coberta, raramente vê o sol, me causaram extrema dor.

As instruções diziam “tiras longas e finas a favor do crescimento dos pelos, devem ser removidas de uma vez só no sentido oposto”. Não tenho muitas palavras para definir a dor, o arrependimento milésimos de segundo após a incrível coragem de puxar a cera, a dor, a frustração ao perceber que a tira fina e longa partiu no meio, a dor (já falei sobre a dor?), o susto ao ver o sangue em bolinhas na pele. E a sensação de “ferrou, vamos até o fim” depois de terminar a primeira tira e ver que não tinha mais volta.

Não foi fácil. Eu fracassei. Não consegui terminar toda a área que eu queria, resolvi deixar parte pra fazer com lâmina depois, ou aqueles creminhos que derretem o pelo, a pele e os ossos (posso fazer um outro texto sobre isso depois).

Tenho ainda mais admiração por essas pessoas que usam cera quente com frequência – porque querem, porque se sentem bem assim e não por causa de uma outra pessoa ou do que a moda diz, a sociedade impõe. Ninguém merece esse sacrifício se não for por si mesmo.

Continuo a minha busca por um processo de depilação que não irrite a pele, dure mais que raspar e doa menos que cera. Se alguém tiver indicações, manda aí nos comentários.

Fiquem abaixo com esse video, que não reflete em absolutamente nada a minha experiência solitária e nada silenciosa. Eu já disse que doeu?