jan
28 lições de vida. De um pai aos filhos, antes de morrer
Paul Flanagan, inglês, professor de gramática, descobriu que tinha mais uns poucos meses de vida, por conta de um câncer. Ao invés de escalar o Himalaia, tomar drogas e fazer uma orgia, decidiu marcar sua presença na vida de seus dois filhos. Escreveu mensagens, gravou vídeos, espalhou fotos, comprou presentes para futuros aniversários, escolheu livros e deixou bilhetes dentro dizendo porque gostava deles. Deixou sua energia espalhada pela casa.
Dois anos depois, sua esposa encontrou uma mensagem sua em seu antigo computador. Uma carta aos filhos, com 28 lições de vida, que provavelmente não teve tempo de entregar. A tradução, que fiz questão de compartilhar com vocês, está abaixo, feita pela Letícia Sorg, jornalista da Época, autora também da matéria com mais detalhes sobre a história (já tem quase um ano, mas cai bem pra esse início de ciclo). (mais…)
jan
Pitaqueiro, opiniático … e teorético
Eu sou daqueles que tem opinião pra tudo. Dou pitaco mesmo, falo o que penso sobre qualquer tema, mesmo que o meu conhecimento sobre o assunto seja raso (o que quase sempre é, como todo mundo) – mas eu deixo isso claro, não finjo que sou especialista em qualquer coisa. E também não sou do tipo que acha que a única opinião que vale é a minha. Ouço, tanto quanto falo. E quando não gosto de determinado tema, não ouço nem falo.
Sou chato, mas sou consistente. E justo. Se eu defendo determinado ponto de vista, raramente você vai me ver mudando de lado (de opinião sim, naturalmente). Se eu fico sabendo de algum novo dado que invalide minha defesa anterior, reavalio, dou meu braço à torcer, numa boa. Mas se isso não acontece, e você não me oferece argumentos suficientes para que eu reavalie minha posição, não adiantam falácias do tipo “ah, você não está informado o suficiente” ou “você só diz isso porque _______”.
Eu gosto de conversar e discutir com pessoas inteligentes e que sabem argumentar.
Depois de um certo tempo de vida – que eu considero metade de minha vida útil, o que vier depois é lucro – eu acabei colecionando algumas teorias, e de vez em quando compartilho com outras pessoas. Vez por outra alguém me pergunta porque eu não escrevo isso em algum lugar. Eu sempre digo que vou escrever, que preciso formular melhor, etc.
Bom, resolvi que vou registrar minhas teorias aqui neste blog. Algumas delas são 100% “minhas”, formuladas do zero nesses anos de papos e pitacos. Outras tem colaboração de 1 ou 2 outras teorias que ouvi durante a vida e acabei desenvolvendo, tentando rebater, criando em cima.
Não chega a ser nada científicamente comprovado, não é fruto de pesquisas ou experiências, é baseado em observação e conversas, como disse. Fique à vontade para discordar – com argumentos
.
nov
Cada geração tem o Movimento Estudantil que merece
Tenho muito medo do que a Geração Z vai aprontar.
Quem gostou, compartilha:
out
Os favelados classe média
Há algum tempo quero escrever sobre um assunto que me incomoda, desde que mudei para São Paulo, mas que ultimamente tem se tornado tão absurdamente comum, que o incômodo virou indignação. É o fenômeno que eu tomei a liberdade de nomear de “favelados classe média”.
Voltando um pouco na História, quando as cidades, estradas e vias férreas eram construídas (não precisa ir muito longe, Londrina, por exemplo, tem bem menos de 100 anos de idade), podemos avaliar um movimento social bem claro. Os trabalhadores, que se empregavam na construção dessa cidades e vias, ficavam tanto tempo que acabavam transformando suas moradias temporárias em algo mais fixo, traziam família, iam ficando. As esposas e filhos também encontravam trabalho nas redondezas, após ou mesmo durante a construção das cidades. E, em busca de uma vida melhor e oportunidades nesses locais tão novos, formavam as favelas ou invasões, mais tarde transformadas em bairros, comunidades, etc. Pobreza e batalha.
Em cidades grandes como São Paulo, onde estão todas as empresas, todas as oportunidades, onde tudo começa, onde estão os melhores e maiores investimentos, outro fenômeno acabou ocorrendo com o tempo e durante muitos anos também foi forte e bastante evidente: a migração. Pessoas de cidades menores dentro e fora do estado eram atraídas pelas oportunidades de emprego, a maioria para mão-de-obra pouco qualificada. Esse êxodo ainda é atualmente muito marcante na configuração da cidade. Eu costumo dizer que o que menos tem em São Paulo é Paulistano, por conta disso.
Acontece que essas vagas pouco qualificadas não são tão abundantes mais, o que acabou por mudar um pouco o perfil da migração. Como tecnologia, Internet, mídias sociais estão bombando, tem atraído cada vez mais um outro perfil de trabalhadores: jovens, classe média, muitos em seu primeiro emprego e a grande maioria morando sozinha pela primeira vez.
Essa leva de trabalhadores, atraídos pelas oportunidades de trabalho, festas, fama, sucesso, dinheiro e crescimento profissional, são uma versão upgraded dos primeiros. Chegam em busca (ou saem da casa dos pais), aceitam o primeiro trabalho (podendo mudar pouco depois para uma melhor oportunidade), ganham relativamente bem, pagam aluguéis caríssimos e moram mal, muito mal. O foco da moradia é a proximidade do trabalho ou das baladas, ou do metrô (não que isso seja ruim em São Paulo), o restante é secundário. Apartamentos sem estrutura, pouco ou nenhum móvel ou conforto, afinal, pouco ficam em casa mesmo, não importa.
Esses são os Favelados Classe Média.
Obviamente, com o tempo e os anos, podem melhorar a moradia, deixar a casa com sua cara ou até mesmo comprar um imóvel (depois de pagar o carro, talvez), mas você não nota a semelhança? O paralelo?
Bom, era só uma reflexão mesmo, não é pra ter nenhuma conclusão, mas se eu posso deixar uma dica, eu digo para se afastarem um pouco do centro de tudo. Morem um pouco longe, mas não morem mal. Invistam em qualidade de vida, conforto, segurança. Pode não fazer diferença no ápice da balada, mas fará quando você ficar gripado, quando quiser receber alguém em casa, quando quiser fazer uma baladinha particular em seu canto, quando tiver frio pra cacete, entre outros momentos.
Afinal, morando perto ou longe, quem em São Paulo sai de casa sem se programar antes? Você vai se atrasar de qualquer modo.
* Foto: Chico Ferreira em Creative Commons
abr
Um bom encontro é de dois
Recebi esse texto por e-mail e gostaria de compartilhar. Pode ser piegas em alguns momentos, mas é de uma lucidez necessária para tratar o assunto (não achei que um dia escreveria lucidez e piegas numa mesma frase). Enjoy.
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Aos casados há muito tempo, aos que não casaram, aos que vão casar, aos que acabaram de casar, aos que pensam em se separar, aos que estão juntos, amigados, colados, aos que acabaram de se separar, aos que pensam em voltar.
Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar.
Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí??? Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o oder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos, o entimento que temos por mãe, pai, irmão, filho.
É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.
A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragíliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.
Casaram. Te amo prá lá, te amo prá cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.
É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência… Amor, só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar.
Amar, só, é pouco. Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar. Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.
Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa,necessariamente, fusão. E que amar, ‘solamente’, não basta.
Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, falta discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom amor aos que já têm! Um bom encontro aos que procuram! E felicidades a todos nós!
* Autoria atribuída a Arthur da Tavola.
* O titulo do post é extraído do belo encontro musical entre Ben Harper e Vanessa da Mata: Boa Sorte / Good Luck
fev
Tentativa de assassinato de ciclistas em Porto Alegre
O título desse texto foi modificado. Eu comecei escrevendo que foi um atropelamento, porém, quando se fala em atropelamento, associamos imediatamente a acidentes, sejam provocados pelo condutor, pela vítima ou por nenhum deles. Acidentes acontecem por imperícia, imprudência ou falhas que fogem ao nosso controle, como uma falta de freio, por exemplo.
O video abaixo deveria ser sobre uma manifestação pacífica ocorrida em Porto Alegre. Centenas de ciclistas passeavam pelas ruas em suas bicicletas, em prol da redução de automóveis no trânsito. Uma “bicicletada”, como costumamos chamar. O evento ia bem até topar com uma figura, que não dá pra chamar nem de ser humano, quanto menos de cidadão, que de dentro do seu veículo, acelerou contra a multidão de ciclistas, atropelando dezenas, ferindo muitos. Essa criatura não parou sequer quando sua investida levou por vários metros dois ou mais ciclistas sobre o capô do carro. Ciclistas esses que ele atropelou por vontade própria e abandonou feridos enquanto seguiu seu caminho, deixando para trás a tragédia e a indignação das pessoas que participavam ou acompanhavam o evento.
A meu ver, a atitude desse monstro é criminosa e deve ser classificada como tentativa de assassinato e deve ser julgado por suas ações, que intencionavam claramente o que se seguiu. O trânsito estava parado atrás da manifestação, o motorista engatou seu veículo e partiu para cima das pessoas. Se isso não se caracteriza “intenção de matar”, eu não sei o que mais o faz.
O video segue abaixo, com o crime registrado por um dos participantes, assim como as horas seguintes.
Aos feridos, desejo saúde e nenhuma sequela. Ao criminoso evadido, desejo que pague por seu crime e se arrependa. A todos nós, paz, meus amigos e mais gentileza, no trânsito ou fora dele.
jan
Sobre escolhas
Durante toda a nossa vida, nós fazemos escolhas. E são essas escolhas que acabam por definir quem somos e quem pretendemos ser. Escolhas fáceis ou difíceis, sofridas ou alegres, rápidas ou bem demoradas. Até mesmo quando não decidimos nada, para não sermos obrigados a escolher, estamos fazendo uma escolha. A da omissão.
De todas as escolhas que fazemos, o que acontece na maioria das vezes é optarmos pelo mais fácil, mais simples, mais cômodo. É de nossa natureza não remar contra a correnteza, deixar-se ser levado pelo caminho, pelas circunstâncias. A escolha fácil é a mais comum, mas a menos gratificante e frequentemente, frustrante.
É muito mais fácil se manter naquele curso que você descobriu não ter nada a ver com você, que largar tudo e fazer outro vestibular; É mais fácil continuar naquele emprego que você detesta porque o mercado de trabalho está complicado e você precisa sustentar a família; É mais fácil abrir mão de um curso de faculdade porque você não tem tempo para trabalhar e estudar ao mesmo tempo, é cansativo; Mais fácil abrir mão de um amor porque você tem que se dedicar muito em seus objetivos profissionais. Compartilhar é difícil, conciliar é difícil, recomeçar é difícil, acreditar é difícil, amar é difícil. (mais…)
jan
Uma amiga Joaninha nada secreta
Em uma brincadeira de fim de ano passada, eu tirei a Lúcia Freitas, também conhecida como Joaninha por conta de seu blog mais famoso Ladybug Brazil. Agora foi a vez da Joaninha me tirar no amigo secreto
. Que legal, hein?
E eu fiquei muito feliz em receber (beeeem atrasado por conta de duas viagens no fim do ano) esse presente lindão abaixo (o iPod Classic não é o máximo?) e ainda mais uma surpresinha em forma de chaveiro (ícone do PhotoShop, pra quem não é “da área”). Adorei, Lu, tênkiu veuri muito viu?

A Dona Joana foi uma das principais responsáveis por minha vinda pra Sampa. No final de 2007 nós organizamos juntos o primeiro BlogCamp no Brasil, e foi aqui na Terra da Garoa. Eu de lá de Londrina fazia o que podia remotamente, mas quem tocava as coisas por aqui era a Lúcia. Depois disso voltei a São Paulo outras vezes, e a Lu me recebeu com todo carinho e hospitalidade em sua casa, onde fiquei hospedado sei lá quantas vezes. Chegamos até a trabalhar juntos, com alguns clientes dela daqui, até que eu finalmente me mudei de vez.
Ah! E do BlogCamp, surgiu um projeto colaborativo muito bacana tocado pela Lu, chamado LuluzinhaCamp. É isso que você pensou, um encontro de blogueiras. Homem é probido
.
Lúcia, você mora em meu coração. Um beijo enorme, muitas felicidades nesse brand new year e sucesso, que você merece.
dez
O papel de cada um
Você já parou para pensar que as pessoas exercem um papel na vida umas das outras? Parece simples, por vezes simplório, pensar dessa forma, mas vamos fazer um pequeno esforço nesse raciocínio. Siga o meu e compartilhe o seu nos comentários.
Em muitos momentos, questionamos sobre a brevidade das relações. Um chefe que aparece em nossa vida profissional por um curto espaço de tempo antes de ser demitido ou pedir demissão, um casamento que durou apenas algumas semanas, um “caso” que fez com que você reavaliasse um relacionamento duadouro, um amigo repentino que durou o tempo da certeza que você tinha de que estava no curso ideal da faculdade. Vai ser bom, não foi? (mais…)
dez
Ontem fui rio. Amanhã serei mar. Hoje sou Pororoca.
Quando soube que 2010 seria um ano de grandes mudanças, eu, que não acredito muito nessa coisa de horóscopo e coisa e tal, fui um pouco descrente. Ainda mais por saber que os últimos anos já foram de grandes mudanças. Separação, mudança de estado, mudança de trabalho, mudança de foco de trabalho, outra mudança de estado, outra mudança de trabalho, mais mudanças de casa e trabalho no mesmo ano … ufa! Achei que 2010 ia ser tranquilo, pra compensar tanta mudança. Mas não foi.
Daí que houveram mudanças grandes. E normalmente o que acontece quando algo dessa magnitude ocorre é dar uma bagunçada geral. A gente se sente meio perdido, meio sem chão, sem norte e leva um tempo até as coisas começarem a se ajustar novamente.
Toda mudança em nossa vida é positiva, por mais que a experiência em si não seja agradável, pelo menos nos ensina algo que precisamos aprender, e é esse o processo que gostaria de compartilhar com vocês, com a analogia do encontro das águas. (mais…)










