Sobre escolhas

dois caminhos : Foto por DobrychDurante toda a nossa vida, nós fazemos escolhas. E são essas escolhas que acabam por definir quem somos e quem pretendemos ser. Escolhas fáceis ou difíceis, sofridas ou alegres, rápidas ou bem demoradas. Até mesmo quando não decidimos nada – para não sermos obrigados a escolher – estamos fazendo uma escolha: a da omissão.

De todas as escolhas que fazemos, o que acontece na maioria das vezes é optarmos pelo mais fácil, mais simples, mais cômodo. É de nossa natureza não remar contra a correnteza, deixar-se ser levado pelo caminho, pelas circunstâncias. A escolha fácil é a mais comum, mas a menos gratificante e frequentemente, frustrante.

É muito mais fácil se manter naquele curso que você descobriu não ter nada a ver com você, que largar tudo e fazer outro vestibular; É mais fácil continuar naquele emprego que você detesta porque o mercado de trabalho está complicado e você precisa sustentar a família; É mais fácil abrir mão de um curso de faculdade porque você não tem tempo para trabalhar e estudar ao mesmo tempo, é cansativo; Mais fácil abrir mão de um amor porque você tem que se dedicar muito em seus objetivos profissionais. Compartilhar é difícil, conciliar é difícil, recomeçar é difícil, acreditar é difícil, amar é difícil.

Se formos observar, todas as escolhas fáceis se tratam de deixar de fazer algo. E a gente sabe o quanto é mais fácil se arrepender de algo que você não fez. Resultado? Frustração. Ao escolher o caminho fácil, deixamos de fazer coisas que no fundo gostaríamos e, lá na frente, um dia, olhamos para trás e nos frustramos por não termos tido a coragem. E vivemos uma vida frustrada pensando no que poderia ter sido.

Covardia? Eu prefiro acreditar que seja egoísmo. Toda vez que tomamos um caminho fácil, estamos sendo egoístas. Se não com outras pessoas, conosco mesmo. Ou pior, conosco e com outras pessoas. Deixar de fazer, porque é mais difícil, sempre deixa alguém frustrado, sempre faz alguém sofrer.

Toda escolha fácil é, no fundo, egoísmo.

Difícil ler isso, não é? Eu sei, dói em mim também.

Mas por que diabos não percebemos isso? Por que em algum momento não partimos para tomar as decisões difíceis, mesmo as novas, já que as passadas não voltam? Porque nos acostumamos muito fácil, com as coisas boas e com as coisas ruins.

(…) A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Trecho de Eu sei, mas não devia. Marina Colasanti

Então, meu caro leitor, reflita bastante ao ter que tomar uma decisão, fazer uma escolha. O caminho fácil é tentador, confortável, atraente, meio óbvio às vezes, mas quem sabe você não encontre algo inesperadamente bom no caminho difícil? No mínimo, você não vai sofrer do famoso “e se…”. E se fosse diferente? E se eu tivesse aceitado aquela transferência para outro país? E se eu tivesse aceitado aquele pedido de casamento? E se eu tivesse largado tudo e viajado em turnê pelo mundo com minha banda de rock? E se eu tivesse concluído meu curso universitário, apesar do cansaço de ter que trabalhar durante o dia? E se … e se?

Não pense no que seria, faça acontecer. Arrisque-se!

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Written by Manoel Netto

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